Telemóveis na escola: sim ou não?

BE Novembro 22, 2023 0
Telemóveis na escola: sim ou não?

Numa altura em que vários países e algumas escolas em Portugal já avançaram com a decisão de proibir a utilização de telemóveis nas escolas, cabe-nos refletir sobre esta questão complexa sem resposta fácil. Serão os aparelhos eletrónicos assim tão prejudiciais?  Proibir o uso do telemóvel na escola é o caminho certo?

Este tema foi discutido em julho deste ano, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que apelou aos países para que o uso de telemóveis nas escolas seja banido. O objetivo é combater a desatenção nas salas de aula, melhorar a aprendizagem e proteger os alunos do cyberbullying, muitas vezes alimentado por imagens captadas na escola.

Os especialistas em educação referem que há um conjunto de experiências que os adolescentes deixaram de viver por estarem presos aos ecrãs: “Os jogos, as brincadeiras, as atividades físicas e sociais, as oportunidades para resolverem conflitos…” lembrando que a vivência ativa dos espaços exteriores favorece a capacidade de concentração dentro da sala de aula. Acrescentam, ainda, que a dependência online põe em causa uma importante competência: a empatia. “Aqueles que são mais dependentes do mundo online apresentam baixos níveis de empatia”, essencial para a criação de relações próximas e de intimidade. Para o desenvolvimento da empatia, “é essencial falar com o colega do lado”.

É urgente, na opinião desses especialistas, que as escolas “apliquem uma fórmula que permita aos alunos viverem um equilíbrio entre o uso do mundo online e do mundo offline“.

Num artigo publicado na revista Visão, ficamos a conhecer a opinião da diretora de um colégio de Viseu, que nos  conta que, quando ali chegou, vinda de uma escola em que não era permitida a utilização de telemóveis nos intervalos, estranhou o que viu. “Os alunos saíam a correr e cada um agarrava o seu telemóvel. Não dialogavam com o colega, não brincavam… a relação humana não existia.” Esta realidade levou-a a questionar a própria missão da escola. Foi então que resolveu agir. Com o apoio da restante direção, informou os pais de que, a partir do ano letivo seguinte, os telemóveis ficariam à porta. “As reações, por parte dos encarregados de educação foram positivas, já os alunos mostraram algum desalento inicial, mas atualmente, a rotina está perfeitamente interiorizada: à chegada à escola, os telemóveis são deixados na receção, na caixa da respetiva turma. Excecionalmente, podem ser usados na sala de aula para atividades específicas, sendo, depois, novamente recolhidos. No final do dia, são-lhes devolvidos”.

Outro exemplo é-nos dado pela diretora de uma escola secundária de Santa Maria da Feira, onde a proibição dos telemóveis na escola foi uma medida implementada há  seis anos e o principal objetivo era “ que os alunos pudessem socializar uns com os outros sem recurso ao telemóvel”. Diz que isso está demonstrado pela animação que se nota no recreio durante os intervalos: “há grupos de alunos em altas gargalhadas, miúdas a caminhar juntas em torno de jardins bem cuidados, rapazes a jogar bola no relvado sintético e até pares românticos a beber sumo na esplanada do bar, sob as árvores”.

Nós, alunos do 9º ano, consideramos que, em certas aulas, quando o professor achar pertinente, o uso do telemóvel, com acesso à internet, é uma ferramenta importante para pesquisar, favorece a aprendizagem permitindo práticas, dinâmicas e atividades que seriam inviáveis sem eles ( ex. uma aula de Geografia em que o Google Maps será crucial, ou outra ainda de Educação Física em que gravar um salto em vídeo permitirá verificar o que tem de ser melhorado, etc). Mas, quando houver livros para ler ou para ouvir ler, quando houver debates para fazer ou documentos para descobrir, talvez o telemóvel possa ficar fora da sala de aula.

Na nossa escola, a maioria dos alunos tem telemóvel, que usa, sobretudo, para aceder às redes sociais e para “conversar com os amigos”, mas nós reconhecemos que a relação com os colegas “é mais fácil cara a cara” e que é mais agradável dar voltas ao recreio a conversar do que passar o tempo “agarrados” ao telemóvel.

Podemos concluir que hoje não é possível ter uma resposta de sim ou não para a proibição do telemóvel na escola. Como quase sempre, o segredo estará no equilíbrio, na expressão popular “nem sempre, nem nunca”, ou seja, às vezes é necessário, com regras e limites, outras vezes, não há necessidade de estar com os olhos postos no pequeno ecrã, pois há toda uma vida a passar à nossa volta.

Alunos do 9ºA


-->

Deixe um comentário »