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O papel do Assistente Social na Escola

BE Abril 3, 2018 0
O papel do Assistente Social na Escola

O Assistente Social assume uma importante relação com a sociedade e o Estado no papel que desempenha na promoção da cidadania e da inclusão social, bem como no combate às desigualdades junto das pessoas, das famílias e das organizações. Esta relação traduz-se na importância que esta profissão tem na eficácia do nosso Estado Social, quer na boa gestão do acesso aos apoios sociais por parte dos cidadãos e assim cumprimento dos direitos de cidadania, quer no acompanhamento das medidas de proteção social e apoio social.

A importância da intervenção dos profissionais de Serviço Social no pós 25 abril foi basilar no desenvolvimento da Segurança Social, assim como noutras áreas do Estado, como na Saúde e na Justiça e mais recentemente na Educação e nas autarquias locais.

Iniciei funções enquanto Assistente Social no Agrupamento de Escolas Fernando Távora no ano letivo 2009-2010, altura em que fui integrada ao abrigo do projeto TEIP – Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Fui a primeira profissional Assistente Social a trabalhar nesta escola, situação que me conferiu uma responsabilidade acrescida: afirmar a profissão numa área disciplinar desconhecida e contribuir para o sucesso do projeto TEIP-Território Educativo de Intervenção Prioritária utilizando uma metodologia diferente do que é a prática e o papel dos docentes.

O número de situações em acompanhamento social, as problemáticas associadas às mesmas e o grau de complexidade que elas exigem ao nível da análise, determinam que as ações que são desenvolvidas sejam fruto de uma reflexão crítica, centrada numa perspetiva interventiva de caráter sistémico e de longo prazo.

Dificilmente, no imediato, se conseguem reparar situações instaladas há vários anos e que, não raras as vezes são transversais a várias gerações dentro do mesmo agregado familiar. Alunos e suas famílias encontram-se integrados dentro de um sistema que se relaciona entre si. Neste sentido, um ou vários fatores externos à escola poderão operar como constrangimento ao sucesso escolar da criança/jovem. O Assistente Social, em conjunto com outros profissionais e estruturas sociais, é quem está habilitado a realizar um diagnóstico social facilitador da interação e comunicação entre os diversos parceiros e, como tal, deverá ser reconhecido como parte integrante do processo de intervenção e educação. A família, no contexto educacional, apresenta-se também ela como veículo de inclusão ou exclusão consoante os fatores de risco ou proteção a que as crianças e jovens se encontram submetidos. É imprescindível a presença do Assistente Social em contexto escolar na medida em que a sua formação científica o habilita para a compreensão das grandes mudanças sociais contemporâneas e seus reflexos na vida das famílias e das populações. A abordagem feita pelo Assistente Social é, necessariamente, distinta da utilizada por outros atores sociais. Tal não significa que o Assistente Social tenha um papel de maior relevância que os demais profissionais. Não obstante, é detentor de saberes próprios inerentes à capacidade de compreensão da realidade social que o habilitam a fazer uma análise social das situações e a dar resposta às mesmas. A comunidade educativa encontra-se exposta e permeável às várias problemáticas que afetam as criança se jovens e suas famílias, incorrendo nalgumas situações no equívoco de quererem “ajudar” os mesmos. Identifico esta situação como um grande constrangimento à intervenção de todos os Assistentes Sociais, na medida em que é necessário realizar um diagnóstico social responsável o qual, justificará, o tipo de resposta a conceder. Neste sentido, alerto para a importância de intervir ao nível da prevenção, defendendo que quanto mais precocemente se detetarem e encaminharem as situações de risco para o técnico adequado, mais eficaz será a intervenção. Para tal, é imprescindível que as funções e papéis desempenhados pelos diferentes profissionais dentro do espaço educativo sejam clarificados, e consideradas não só as suas competências, aptidões e habilitações, bem como o tipo de situações/problemas sinalizados para acompanhamento.

Considerando que a escola se encontra cada vez mais aberta às relações com o exterior, compete a todos os Assistentes Sociais defender a legitimação da sua presença no meio escolar, assim como nas demais esferas sociais. De que forma? Através de uma prática profissional qualificada. A sinalização é o primeiro instrumento a ser utilizado para encaminhar os alunos e famílias para um posterior acompanhamento social. Este é o primeiro contacto que estabelecemos com uma realidade que preocupa os docentes e/ou as famílias. Pela sua visão recebemos um determinado problema social que obrigatoriamente tem que ser desconstruído. Não é possível intervir socialmente agindo de forma isolada e, por isso, os docentes tendem a ser os nossos principais aliados (e vice-versa).

Destaco como principais funções desempenhadas na escola, a atuação ao nível da prevenção de comportamentos de risco, quer através do acompanhamento individualizado prestado junto dos alunos e famílias, quer pelo desenvolvimento de ações de sensibilização e informação e/ou promoção de competências socio emocionais e parentais. Os encaminhamentos para as respostas na comunidade, a articulação com os diferentes serviços no âmbito da promoção e proteção de menores, ação social, emprego e saúde, realização de visitas domiciliárias e participação em grupos de trabalho, são apenas exemplos das várias responsabilidades assumidas pelos Assistentes Sociais no seu quotidiano profissional. Na minha conceção, é inexequível que os docentes atuem isoladamente junto das vulnerabilidades sociais e económicas, assim como é indesejável depositar noutros técnicos essa responsabilidade. Fazê-lo seria atribuir-lhes tarefas para as quais tendem a não apresentar a totalidade das competências profissionais para esse efeito. Neste seguimento, parece-me imprescindível a participação e intervenção de Assistentes Sociais em contexto escolar, não só ao nível das respostas sociais que concretizam dentro do seio escolar, como também no reportar de situações às instâncias com poder de decisão. O conhecimento, encarado enquanto principal recurso do poder profissional dita as características essenciais do perfil técnico a ser afeto a cada escola. Existindo autonomia destas para a seleção e contratação de técnicos, termino dizendo que é meu desiderato que cada vez mais a escola se torne um espaço inclusivo. Para tal, é necessário que se reconheça nos Assistentes Sociais as competências e saberes que detêm, as quais são imprescindíveis e determinantes para atuar ao nível de contextos sociais e familiares tão complexos com que, hoje, estes se nos apresentam.

 

Sofia Silva

Técnica de Serviço Social

Agrupamento de Escolas Fernando Távora


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